Tesouro com mais de 900 moedas de prata romanas é descoberto na Alemanha

Um detector de metais levou à descoberta de um tesouro com 934 moedas de prata romanas em um campo próximo a Wesseling, no oeste da Alemanha, que, somadas, pesam cerca de 3,1 kg. O conjunto, apresentado ao público na terça-feira (22) durante um evento no Rheinisches Landesmuseum Bonn, é considerado o maior já encontrado no país entre os tesouros de moedas do período do imperador Adriano, no século 2 d.C.
O achado veio à tona depois que o caçador de tesouros Oliver Riedl encontrou algumas moedas e percebeu que seu equipamento continuava emitindo sinais no mesmo ponto. Ele então procurou as autoridades, que enviaram especialistas para realizar a escavação. “Para mim, estava claro que havia algo maior enterrado ali”, lembra o detector amador, em entrevista à Associated Press.
terrada de propósito
Os especialistas acreditam que as moedas foram escondidas deliberadamente entre os anos 100 e 150 d.C. A principal hipótese é que o proprietário pretendesse proteger o dinheiro e voltar para buscá-lo mais tarde.
“Só podemos especular sobre os motivos, mas é muito provável que alguém quisesse manter esse dinheiro em segurança. Afinal, os bancos não existiam naquela época”, aponta Erich Classen, arqueólogo do estado da Renânia do Norte-Vestfália e diretor do escritório de preservação arqueológica responsável pelo caso.
Contudo, ninguém jamais voltou para retirar o tesouro. Classen considera possível que o dono tenha morrido antes de recuperar as moedas ou de contar a outra pessoa onde elas estavam escondidas. “Talvez o dono tenha morrido antes que isso pudesse acontecer, sem conseguir transmitir o conhecimento sobre as moedas”, sugere ele.
As moedas são denários, uma das principais moedas de prata usadas pelos romanos. Embora não seja possível converter diretamente seu valor para os padrões atuais, os salários dos soldados ajudam a dar uma ideia de quanto dinheiro estava enterrado.
Um legionário recebia cerca de 300 denários por ano, mas aproximadamente metade do pagamento era descontada para cobrir alimentação e equipamentos. “Um legionário, portanto, teria que ter economizado toda a sua renda disponível por cerca de seis anos para acumular o tesouro de Wesseling”, afirma Rahel Otte, pesquisadora associada do escritório de arqueologia.
Não se sabe, porém, quem juntou as moedas. O conjunto poderia ter pertencido a um soldado, a um comerciante ou a qualquer outra pessoa com acesso a uma quantia significativa de dinheiro.
Região marcada pela presença romana
O local do achado fica em uma área que esteve sob domínio romano por quase cinco séculos, aproximadamente de 39 a.C. a 459 d.C. Os romanos estabeleceram uma presença na região para proteger a fronteira do império ao longo do rio Reno.
Sob o comando do general Marco Vipsânio Agripa, foi criado um posto militar que mais tarde deu origem a Colonia Agrippina. A cidade é antecessora da atual Colônia.
Tesouros de moedas da Antiguidade não são raros, mas conjuntos tão numerosos desse período são incomuns. Por isso, além do valor material, as 934 peças podem ajudar os pesquisadores a entenderem como o dinheiro circulava e era guardado naquela parte do Império Romano.
(Por Arthur Almeida)






