Barbudo defende reforma agrária com estrutura e cobra condições para assentados produzirem

Barbudo defende reforma agrária com estrutura e cobra condições para assentados produzirem
Divulgação

Conhecido pela defesa do agronegócio e por suas posições conservadoras, o deputado federal Nelson Barbudo (Podemos) reforçou uma bandeira que, segundo ele, não é incompatível com sua posição política: a defesa da reforma agrária e dos assentados. Durante passagem pelo Norte de Mato Grosso, Barbudo afirmou que a discussão sobre reforma agrária não pode terminar na distribuição de lotes.

“Eu sou um deputado de direita, mas eu defendo a reforma agrária, eu defendo o pequeno produtor, o médio produtor, mas eu defendo uma reforma agrária com estrutura”, afirmou o parlamentar, ao se encontrar com grupos de assentados. Para o parlamentar, o poder público precisa garantir condições para que as famílias assentadas transformem a terra em produção, renda e autonomia.
.
A posição defendida por Barbudo combina reforma agrária com respeito à propriedade privada e segurança jurídica. Ele se posiciona contra invasões de propriedades e sustenta que eventuais desapropriações devem seguir os procedimentos legais e ser acompanhadas da regularização das famílias beneficiadas.

Para o deputado, um dos principais problemas do modelo atual é justamente o período que separa a chegada da família ao assentamento da obtenção definitiva dos documentos da propriedade. Sem a regularização, argumenta, o produtor encontra dificuldades para acessar financiamento e investir na atividade. “O pequeno produtor sem sua escritura não tem financiamento. Trava a vida” – salientou.

Barbudo sustenta que assentar uma família sem criar condições para que ela produza pode perpetuar sua dependência do Estado, em vez de gerar autonomia. Nelson é utor do PL 1.231/2025, que atribui ao Incra a responsabilidade pela execução e pelo custeio do georreferenciamento dos imóveis destinados à reforma agrária. O projeto já recebeu parecer favorável da Comissão de Agricultura da Câmara e atualmente aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça.

“Não adianta dar terra e deixar a família sozinha – frisou o deputado do Podermos. O assentado precisa de documento, crédito, estrada, assistência e condições para comercializar aquilo que produz. Reforma agrária, para mim, precisa terminar com uma família produzindo e vivendo dignamente do seu trabalho”.

Outro ponto defendido por Barbudo é que a política agrícola não pode estabelecer uma divisão artificial entre agronegócio e pequenos produtores. Em entrevistas a emissoras de rádio, ele criticou as dificuldades enfrentadas por assentados para comercializar produtos como leite, queijo, frango e outros alimentos produzidos nas propriedades. Também defendeu acesso a linhas de crédito que permitam investimentos em produção leiteira, irrigação e outras atividades capazes de aumentar a renda das pequenas propriedades.

Essa preocupação aparece em outro projeto de sua autoria. O PL 2.913/2025 cria uma modalidade simplificada da Cédula de Produto Rural voltada à agricultura familiar, com isenção de taxas de registro. A proposta já teve parecer favorável aprovado pela Comissão de Agricultura e está atualmente na Comissão de Finanças e Tributação.

Para Barbudo, é importante respeitar quem tem sua propriedade e dar condições de verdade para quem recebeu terra da reforma agrária. “Segurança jurídica para os dois lados. O Brasil não precisa colocar grande e pequeno produtor um contra o outro. Precisa de todos produzindo” – concluiu.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posso ajudar?