Geologia de Engenharia ganha destaque em debate sobre segurança e eficiência das obras em MT

Geologia de Engenharia ganha destaque em debate sobre segurança e eficiência das obras em MT
Fotos: Divulgação

O avanço das obras de infraestrutura em Mato Grosso e a necessidade de conhecer, antes da execução dos projetos, as condições do solo e das rochas estiveram no centro da palestra “A Geologia de Engenharia Aplicada em Obras de Infraestrutura”, realizada no dia 22 de setembro, no Auditório João Barbuíno Curvo Neto (Mofão), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. O encontro reuniu geólogos, engenheiros, estudantes, gestores públicos e profissionais ligados à construção civil e à mineração.

Promovida pelo Sindicato dos Geólogos de Mato Grosso (Singemat) e pela Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental (ABGE), a palestra é realizada através do patrocínio do chamamento público do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso(Crea-MT) .O encontro mostrou como a investigação geológica pode contribuir para aumentar a segurança, reduzir imprevistos e dar maior eficiência ao planejamento de rodovias, barragens, fundações, túneis, sistemas de saneamento e outros empreendimentos.

Em um estado marcado pela expansão da malha rodoviária, crescimento urbano e implantação de grandes projetos, compreender o que existe abaixo da superfície torna-se uma etapa estratégica. Estudos inadequados ou insuficientes podem resultar em alterações de projeto durante a execução, atrasos, aumento de custos e necessidade de soluções que poderiam ter sido previstas ainda na fase de planejamento.

Presidente do Singemat, o geólogo Sinvaldo Gomes de Morais ressaltou que ampliar esse debate também contribui para aproximar profissionais, universidade e futuros geólogos das demandas que acompanham o desenvolvimento do estado.

“Mato Grosso cresce e, junto com esse crescimento, aumenta a necessidade de obras de infraestrutura seguras, planejadas e tecnicamente bem fundamentadas. A geologia permite conhecer previamente as condições do terreno e oferecer informações fundamentais para que engenheiros e demais profissionais tomem decisões mais seguras. Quando esse conhecimento entra desde o início do projeto, é possível prevenir problemas, otimizar recursos e contribuir para obras mais eficientes e sustentáveis”, destacou Sinvaldo.

Do conhecimento geológico à tomada de decisão – A palestra foi ministrada pelo geólogo Ivan José Delatim, formado pela UFMT e mestre em História e Ciências da Terra pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Com décadas de experiência em Geologia de Engenharia, ele já atuou em projetos envolvendo estradas, metrôs, empreendimentos hidrelétricos, parques eólicos e outras obras de infraestrutura.

Durante a apresentação, Delatim percorreu diferentes campos de atuação e chamou atenção para a qualidade da investigação do terreno. Segundo ele, não basta realizar sondagens e levantamentos, os dados precisam ser corretamente obtidos, descritos e interpretados para que possam efetivamente subsidiar o projeto.

“Uma investigação precisa ser correta e bem descrita para que aquele material realmente possa ser utilizado no projeto. Se a informação chega e não permite uma boa interpretação, é um investimento que não cumpriu sua finalidade”, explicou.

O especialista comparou a interpretação geológica a um diagnóstico médico, quanto mais consistente for a análise, maior será a capacidade de tomar decisões adequadas. Para ele, a formação teórica do geólogo precisa dialogar permanentemente com a prática da engenharia.

“É preciso olhar o solo e a rocha com a visão voltada para aquele projeto: entender a resistência, a capacidade de carga, identificar solos que podem trazer problemas a uma estrada ou fundação e compreender como um maciço rochoso vai se comportar em um corte, túnel ou abertura de vala. Todo esse conhecimento serve para subsidiar as decisões de infraestrutura”, afirmou.

Delatim também ressaltou que a geologia não determina necessariamente se uma obra poderá ou não ser construída, mas fornece elementos para compreender as condições existentes e definir as soluções de engenharia mais adequadas. Quando os condicionantes geológicos são identificados somente durante a execução, o empreendimento pode exigir adaptações e intervenções adicionais, com reflexos no custo e no prazo.

Universidade e mercado – Diretor da Faculdade de Geociências da UFMT, o professor doutor Carlos Humberto da Silva destacou a importância de fortalecer a Geologia de Engenharia dentro da formação acadêmica. Ao receber os participantes, ele lembrou a trajetória de cinco décadas do curso de Geologia da universidade e avaliou que a área tende a conquistar espaço crescente na formação dos estudantes.

“A Geologia não se faz só no campo ou na pesquisa mineral. A Geologia também se faz nas estradas, nas ferrovias, nas rodovias e nas pontes”, afirmou.

Segundo Carlos Humberto, novas parcerias e o interesse dos acadêmicos ajudam a ampliar a aproximação entre universidade, profissionais e demandas concretas da sociedade. “Com certeza, nos próximos anos, a Geologia de Engenharia vai ocupar a posição que merece dentro do nosso curso”, acrescentou.

Essa aproximação foi percebida também pelos participantes. O engenheiro de Minas Jonathan Liniker Godinho Gomes destacou que um estudo geológico adequado na fase de planejamento pode evitar problemas significativos na execução.

“Já trabalhei em obras em que a falta de um estudo geológico encareceu muito e quase inviabilizou o empreendimento. Quando você conhece previamente o solo, as rochas e possíveis falhas, consegue planejar muito melhor o que será feito”, relatou.

Recém-formado em Geologia pela UFMT, Rodrigo Nishikuma avaliou que o encontro permitiu aprofundar assuntos que aparecem durante a graduação, mas ganham outra dimensão quando apresentados a partir da experiência profissional.

“É importante porque reúne comunidade acadêmica, profissionais e egressos. A experiência do palestrante, principalmente ao detalhar obras como estradas e taludes, oferece um olhar mais aprofundado sobre situações que vemos na graduação, mas nem sempre com esse nível de aplicação prática”, disse.

A programação teve continuidade entre os dias 23 e 25 de setembro, com a realização do Curso de Classificação de Sondagem, ampliando as atividades de capacitação e atualização técnica voltadas aos profissionais e estudantes da área. O evento contou ainda com o apoio do Confea, Mútua, Agemat, Geoclub, Febrageo, Fageo e Solotécnica Engenharia e Sondagens.

Fotos: Divulgação

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