O funil da espera: os números extremos das filas do SUS em Mato Grosso

Dados do Portal Transparência da Regulação da Secretaria de Estado de Saúde (SES) mostram que 865.575 pacientes aguardam na fila do SUS em Mato Grosso. Com uma espera média de um ano e dois meses, o sistema acumula gargalos em consultas (333.388 pessoas), exames (429.027 pessoas) e internações (103.160 pessoas), com casos isolados em que a espera ultrapassa 13 anos.
Enquanto a discussão sobre a eficiência da gestão pública ganha os bastidores políticos com a expectativa de que novos representantes alterem o cenário, a rotina de quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso é ditada por prazos extensos. O estado registra 865.575 pacientes estagnados nas centrais de regulação à espera de um atendimento médico especializado, de um exame diagnóstico ou de uma cirurgia.
A média geral de espera no estado é de 410 dias, mas a radiografia por setores revela disparidades severas na infraestrutura assistencial mato-grossense:
Onde estão os maiores gargalos do sistema?
- Consultas Especializadas (333.388 pacientes | Média de 410 dias): A oftalmologia concentra o maior volume, com mais de 20 mil pessoas aguardando (espera média de 183 dias). Em psicologia adulta, 16.720 pacientes esperam 552 dias. Os recordes de demora recaem sobre a odontologia pediátrica (3.036 dias), ortopedia ambulatorial (2.450 dias) e oncologia com iodoterapia (2.270 dias).
- Exames Diagnósticos (429.027 pacientes | Média de 427 dias): O maior volume está na ultrassonografia de articulação, com 34.799 pessoas e 634 dias de espera. Exames laboratoriais específicos como dosagem de lítio (4.909 dias) e pesquisa de anticorpos anti-SM (4.734 dias) registram os prazos mais longos.
- Cirurgias e Internações (103.160 pacientes | Média de 494 dias): Destacam-se as filas para intercorrências clínicas na gravidez (3.279 pacientes; 369 dias) e pneumonias/influenza (3.116 pacientes; 499 dias). Os maiores prazos cirúrgicos são para artrodese intersomática (1.445 dias) e cirurgia de varizes bilateral (1.312 dias)
O desafio estrutural do estado
Para o presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (Cosems-MT), Marco Noberto Felipe — secretário de Saúde com 20 anos de atuação na área —, o cenário reflete as barreiras geográficas e operacionais de um estado continental. A dispersão populacional, os acessos precários e a escassez de especialistas de média e alta complexidade nos municípios distantes dos grandes centros aprofundam as desigualdades de acesso, exigindo planejamento e eficiência técnica para mitigar o sofrimento nas filas.
Fonte: CenárioMT






