Júlio vê classe política “desmoralizada” e prevê 30% de abstenção

Júlio vê classe política “desmoralizada” e prevê 30% de abstenção
O deputado estadual Júlio Campos, que crê em alta abstenção de votos na eleição deste ano -Victor Ostetti/MidiaNews

O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil), candidato à reeleição, disse crer que o desânimo do eleitorado com a política pode produzir uma nova alta de abstenções em Mato Grosso.

“Os candidatos não estão empolgando e a classe política está desmoralizada. Vai ser uma eleição bastante fria”

Ele afirmou que a combinação entre candidatos pouco capazes de mobilizar o eleitor e o desgaste da classe política pode levar o índice a patamares de 30% ou mais do que isso.

Em entrevista ao MidiaNews, o parlamentar relacionou a possível elevação ao que chamou de “desmoralização” da classe política. Para ele, o cenário já seria perceptível na campanha, que classificou como “fria e de pouca movimentação”.

“Os candidatos não estão empolgando e a classe política está desmoralizada. Acredito que vai ser uma eleição bastante fria”, afirmou.

“Pode ocorrer esse fato de termos uma abstenção muito mais elevada do que a média de 20%. Pode chegar até 30% de abstenção”, acrescentou.

Segundo o deputado, o valor baixo da multa por não votar da eleição também favorece a decisão dos eleitores de não comparecer às urnas.

“Se não tiver um candidato que empolgue, o eleitor vai pagar multa, ficar em casa tomando uma cerveja, batendo um papo, indo para beira do rio pescar”, disse.

Histórico de abstenção

A previsão do deputado Júlio encontra um histórico recente de participação eleitoral abaixo da média nacional em Mato Grosso. Nos três últimos pleitos de Governo, a parcela de eleitores que não compareceu às urnas ficou acima de 22% no primeiro turno.

Em 2014, 501.407 eleitores mato-grossenses deixaram de votar, o equivalente a 22,91% do eleitorado. O índice ficou acima da média nacional, de 19,39%.

O fenômeno se intensificou quatro anos depois. No primeiro turno de 2018, 571.362 eleitores, ou 24,56%, não compareceram às urnas. Na ocasião, o MidiaNews resumiu o resultado como expressão de “indiferença” e “revolta” do eleitor mato-grossense com a política.

Mato Grosso chegou a registrar naquele pleito a maior taxa de abstenção entre os Estados no primeiro turno, segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Cerca de um em cada quatro eleitores não saiu de casa para votar.

A eleição de 2022 não repetiu o pico do segundo turno de 2018, mas manteve a abstenção em nível elevado. No primeiro turno, 576.914 eleitores, correspondentes a 23,40% do eleitorado de Mato Grosso, não votaram. O Estado teve naquele momento a segunda maior taxa de abstenção do país. No segundo turno, foram 556.566 faltosos, ou 22,53%.

Veja o vídeo:

(MidiaNews)

Astrogildo Aécio Nunes

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