Mato Grosso registra mais de mil casos de estupro contra crianças e menores de idade entre janeiro e julho de 2026

Mato Grosso registra mais de mil casos de estupro contra crianças e menores de idade entre janeiro e julho de 2026
Mato Grosso registra média de quase cinco casos diários de violência sexual infantojuvenil em 2026.

Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) apontam que Mato Grosso registrou 1.054 ocorrências de estupro e estupro de vulnerável contra crianças e adolescentes de até 17 anos entre os meses de janeiro e julho de 2026. O volume representa uma média alarmante de quase cinco casos diários, ou praticamente um registro a cada cinco horas no estado.

Do total de vítimas contabilizadas no período, a grande maioria — 888 registros, equivalente a 84,3% — é do sexo feminino, enquanto os meninos somam 166 casos. O levantamento também detalha que 563 das vítimas tinham no máximo 11 anos de idade, evidenciando a extrema vulnerabilidade da primeira infância diante da violência sexual.

Conforme o balanço oficial da Sesp-MT, a modalidade de estupro de vulnerável concentrou 876 ocorrências, o que representa 83,1% do total de boletins registrados nos primeiros sete meses do ano, enquanto os demais casos foram tipificados como estupro:

  • Recorte Etário: Entre as meninas, 438 tinham até 11 anos e 450 estavam na faixa de 12 a 17 anos; entre os meninos, 125 tinham até 11 anos e 41 compunham o grupo de 12 a 17 anos. O histórico estadual aponta milhares de registros em anos anteriores, com 1.769 casos em 2025 e 2.154 em 2024.
  • Fatores de Risco e Prevenção: O procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado, titular da Procuradoria Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), aponta que disfunções familiares e o consumo de álcool e drogas por responsáveis elevam os riscos. Em resposta, o MPMT mantém o projeto “Prevenção Começa na Escola”, somando-se a iniciativas conjuntas entre a Setasc, a Sesp-MT e a Polícia Civil voltadas à capacitação da rede protetiva.

Especialistas reforçam que a ampliação de dados detalhados por municípios — a exemplo de localidades que já registraram altas taxas em anuários nacionais, como Sorriso — é fundamental para direcionar políticas públicas mais eficazes de combate à violência infantil em Mato Grosso.

Fonte: CenárioMT

Astrogildo Aécio Nunes

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