Descoberto inseto de 324 milhões de anos que tinha 24 patas

Os insetos são conhecidos por uma característica que está até no próprio nome do grupo ao qual pertencem: são hexápodes, ou seja, animais com seis patas. Mas seus ancestrais mais antigos eram bem diferentes. Um fóssil encontrado no Texas, nos Estados Unidos, revela uma criatura de 324 milhões de anos que tinha 24 membros.
Descrito em estudo publicado em 26 de agosto na revista Nature, o fóssil pertence a uma nova espécie, Chosha praecursor, que tinha cerca de 49 milímetros de comprimento e viveu no período Carbonífero, há aproximadamente 324 milhões de anos. A descoberta pode ajudar a esclarecer como os primeiros insetos evoluíram até apresentar o corpo tal como ele é nas espécies atuais.
Apesar das 24 “patas”, apenas seis parecem ter sido usados no passado efetivamente para a locomoção. Eles estavam ligados ao tórax, como ocorre nos insetos modernos. A diferença é que C. praecursor também apresentava apêndices nos segmentos de 1 a 9 do abdômen.
Essas estruturas abdominais tinham extremidades modificadas que se pareciam mais com remos do que com patas. Para os pesquisadores, isso sugere que o animal tinha um estilo de vida semiaquático, possivelmente vivendo em ambientes de transição entre a terra e a água.
“É curioso”, disse o primeiro autor do estudo, Erik Tihelka, à Science News. “Chamamos os insetos de ‘hexápodes’, que significa seis patas. Mas acontece que os originais tinham muito mais.”
De muitas patas a seis
A equipe analisou outros dois fósseis além do exemplar de C. praecursor e descobriu que os três pertenciam a um grupo ancestral de insetos primitivos. Os fósseis ajudam a preencher uma lacuna na história evolutiva inicial desses animais.
Todos os insetos modernos possuem seis patas locomotoras presas ao tórax e não apresentam membros no abdômen. A anatomia de C. praecursor indica, portanto, que a configuração de seis patas não estava presente desde o início da evolução do grupo.
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Os pesquisadores propõem que os ancestrais dos insetos eram pancrustáceos que possuíam apêndices adicionais ao longo do corpo. Ao longo da evolução, essas estruturas teriam sido modificadas e, nos insetos que passaram a viver de forma mais independente da água, acabaram sendo completamente perdidas.
A perda dos membros abdominais pode ter sido uma das principais mudanças que permitiram aos primeiros insetos se adaptar à vida terrestre. O novo fóssil oferece uma rara oportunidade de observar uma etapa intermediária desse processo.
O nome da espécie também faz referência à antiguidade dessa história. Chosha deriva de ch’osh, palavra navajo (etnia indígena americana) para “inseto”. Segundo os autores, a escolha remete a um mito de criação navajo no qual as primeiras massas de terra eram ocupadas por antigas criaturas semelhantes a insetos, cujos descendentes posteriormente povoaram a Terra.
(Por Redação Galileu)






