Wellaton dizia que Abilio não tinha maturidade para governar Cuiabá; agora integra gestão do prefeito

Wellaton dizia que Abilio não tinha maturidade para governar Cuiabá; agora integra gestão do prefeito
Foto: Reprodução

Ex-vice de Abilio em 2020 rompeu com antigo aliado em 2024, apoiou Botelho e criticou falta de humildade, diálogo e maturidade do então candidato do PL

A política cuiabana produziu uma daquelas reviravoltas que dificilmente passam despercebidas.

Em 2024, Felipe Wellaton decidiu romper politicamente com Abilio Brunini, de quem havia sido vice na eleição para a Prefeitura de Cuiabá em 2020. Naquele ano, em vez de apoiar novamente o antigo companheiro de chapa, Wellaton declarou apoio a Eduardo Botelho e fez críticas duras ao candidato do PL.

Entre os principais questionamentos estava a capacidade de Abilio para administrar o Executivo municipal. Para Wellaton, faltavam ao então deputado federal características fundamentais para comandar a Capital, como humildade, diálogo e, sobretudo, maturidade.

“Eu não acredito que você muda sua pessoa. Você pode mudar de roupa, sua maquiagem, mas quem você é reflete isso nas pesquisas e no diálogo com as pessoas”, afirmou na época.

Wellaton reconhecia o desempenho de Abilio como parlamentar e fiscalizador, mas dizia que a realidade do Executivo exigia outro perfil.

“Ele está em Brasília como deputado federal porque faz muito bem este trabalho, mas no Executivo é preciso humildade e muito diálogo”, declarou.

A aposta em Botelho

Ao mesmo tempo em que criticava Abilio, Wellaton passou a defender publicamente a candidatura de Eduardo Botelho.

Na avaliação do então secretário-adjunto de Turismo, Cuiabá precisava de um prefeito com capacidade de diálogo e maturidade para enfrentar os problemas da cidade.

Ao justificar sua escolha, chegou a afirmar que enxergava essas características no grupo liderado por Botelho.

“Então eu vejo neste grupo muita maturidade para administrar Cuiabá”, disse.

Outro argumento utilizado por Wellaton era a necessidade de aproximação entre a Prefeitura de Cuiabá e o Governo do Estado.

Naquele momento, ele defendia que a situação financeira do município exigia uma relação próxima com o governador Mauro Mendes.

“Cuiabá está com 1,2 bilhão de dívida, portanto, na minha visão, para ajustar Cuiabá precisa do governador”, afirmou.

A aposta, porém, não se confirmou nas urnas.

Botelho terminou a eleição em terceiro lugar e ficou fora do segundo turno. Abilio avançou na disputa e acabou eleito prefeito de Cuiabá.

Da crítica à participação na gestão

A reviravolta política ganhou um novo capítulo.

O mesmo Wellaton que, em 2024, questionava a maturidade de Abilio para comandar o Executivo municipal agora ocupa um cargo na estrutura da Prefeitura de Cuiabá, sob a administração do próprio Abilio.

A mudança recoloca em evidência as declarações feitas durante a campanha eleitoral e abre espaço para uma pergunta inevitável sobre a trajetória política do ex-vice-prefeito.

Em 2020, Wellaton estava ao lado de Abilio em uma chapa que disputou a Prefeitura.

Em 2024, rompeu com o antigo aliado, apoiou Botelho e afirmou que Abilio não apresentava o perfil adequado para administrar a Capital.

Agora, após a vitória de Abilio, voltou a fazer parte da estrutura do governo municipal.

Não se trata apenas de uma mudança de apoio eleitoral. A questão envolve os próprios argumentos utilizados por Wellaton para justificar sua escolha em 2024.

Ele não apenas preferiu outro candidato. Também afirmou que Abilio precisaria demonstrar mais humildade, capacidade de diálogo e maturidade para exercer o cargo de prefeito.

O cenário de 2026

A movimentação ganha ainda mais relevância diante do cenário político de 2026.

Abilio vem demonstrando aproximação com Otaviano Pivetta, que se apresenta como um dos principais nomes para a disputa pelo Governo de Mato Grosso.

Pivetta, por sua vez, afirmou recentemente que as demandas apresentadas pela Prefeitura de Cuiabá ao Governo do Estado estão sendo executadas ou preparadas para execução, reforçando o discurso de parceria entre as duas administrações.

Do outro lado do cenário eleitoral está Wellington Fagundes, do PL, também colocado entre os principais nomes da disputa pelo Governo.

É nesse ambiente que as declarações de Wellaton feitas dois anos antes voltam a ganhar força no debate político.

Em 2024, ele defendia que Abilio não tinha maturidade suficiente para comandar Cuiabá e apresentava Botelho como uma alternativa mais preparada para a Prefeitura.

O eleitor, entretanto, decidiu de outra maneira.

Botelho perdeu.

Abilio venceu.

E Wellaton passou a integrar a administração do prefeito cuja capacidade para governar a Capital havia colocado em dúvida.

Mudança de opinião ou mudança de lado?

A trajetória coloca uma questão política que dificilmente será ignorada durante o novo ciclo eleitoral.

Se em 2024 Wellaton entendia que Abilio precisava mudar sua postura, demonstrar mais humildade e ampliar o diálogo, o que mudou desde então?

A experiência da gestão municipal fez o ex-vice mudar de avaliação sobre o prefeito?

Ou a mudança foi essencialmente política?

As respostas cabem ao próprio Wellaton.

O fato objetivo é que suas declarações de 2024 permanecem registradas e contrastam com sua posição atual dentro da administração de Abilio.

Naquele momento, ele dizia enxergar em Botelho um grupo com “muita maturidade” para administrar Cuiabá.

Dois anos depois, está dentro da gestão do político cuja maturidade para o Executivo havia questionado.

Para a política cuiabana, fica a pergunta: Wellaton mudou de opinião sobre Abilio ou apenas mudou de lado?

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