Fóssil de peixe de 254 milhões de anos encontrado em MT é identificado como nova espécie

Fóssil de peixe de 254 milhões de anos encontrado em MT é identificado como nova espécie
Divulgação

Um fóssil de peixe encontrado em Mato Grosso há mais de 20 anos foi identificado como uma nova espécie que viveu há cerca de 254 milhões de anos, pouco antes da maior extinção em massa da história da Terra. O animal recebeu o nome de Leolepis matogrossensis.

A descoberta é resultado de uma parceria entre pesquisadores brasileiros e internacionais. O estudo foi publicado no final de julho no Journal of South American Earth Sciences e teve participação de especialistas do Museu de História Natural de Londres e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

O fóssil foi encontrado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira em uma região próxima ao município de Alto Garças, a cerca de 50 quilômetros da cratera de Araguainha, considerada a maior cratera de impacto conhecida da América do Sul.

Inicialmente, o exemplar chegou a ser confundido com um sapo. Análises posteriores, porém, permitiram identificar que se tratava de um peixe pertencente aos actinopterígeos ancestrais, grupo que reúne cerca de 96% dos peixes ósseos atuais, incluindo espécies como atum, salmão e bacalhau.

Com aproximadamente 15 centímetros de comprimento, o Leolepis matogrossensis chama atenção pelo estado de conservação. Diferentemente de muitos fósseis de peixes desse período encontrados no Brasil, que aparecem apenas como dentes, escamas ou fragmentos de ossos, o exemplar de Mato Grosso preservou grande parte do corpo.

Segundo os pesquisadores, o peixe apresentava escamas mais resistentes do que as observadas em integrantes atuais do grupo. O animal teria vivido em um grande lago, formado quando a América do Sul e a África ainda estavam unidas no supercontinente Gondwana.

A existência do fóssil ajuda os cientistas a compreender como eram os ecossistemas da região pouco antes da extinção do Permiano, ocorrida há aproximadamente 252 milhões de anos. O evento provocou o desaparecimento de cerca de 95% das espécies marinhas e 78% das espécies terrestres, sendo associado principalmente a grandes erupções vulcânicas.

Em entrevista ao Metrópoles, Martha Richter, autora principal do estudo, a preservação do fóssil é especialmente relevante porque as rochas da região foram deformadas pelo impacto que formou a cratera de Araguainha.

A descoberta também indica que ainda podem existir outros fósseis desconhecidos na América do Sul, segundo os pesquisadores.

(Olhar Direto)

Astrogildo Aécio Nunes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posso ajudar?