Lula fala em parceria com China, EUA e Rússia, mas Mato Grosso entra no centro da disputa por minerais

A disputa internacional por minerais críticos e terras raras ganhou um novo capítulo neste sábado (22), e a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva coloca Mato Grosso diante de uma questão estratégica que vai muito além da mineração: quem vai controlar a tecnologia e o valor gerado pelas riquezas do subsolo brasileiro?
Durante um ato no Rio de Janeiro, Lula afirmou que não tem preferência entre China, Estados Unidos, Rússia, França e Inglaterra para estabelecer parcerias com o Brasil. Segundo o presidente, a prioridade deve ser o interesse nacional.
A declaração chama atenção em Mato Grosso porque o Estado ocupa uma posição relevante no mapa mineral brasileiro e, ao mesmo tempo, reúne uma das maiores forças produtivas do país. O avanço da mineração mato-grossense pode ganhar ainda mais importância em um cenário mundial no qual minerais estratégicos são disputados pelas principais economias.
Por que essa disputa interessa a Mato Grosso?
A discussão sobre minerais críticos deixou de ser exclusivamente um assunto do setor mineral. Esses recursos estão presentes em cadeias consideradas estratégicas para a economia mundial, incluindo baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, chips, sistemas de energia e diferentes tecnologias de alta complexidade.
Para Mato Grosso, a questão é especialmente importante porque o Estado não quer ser conhecido apenas pela produção de commodities agrícolas.
A combinação entre agro, mineração, energia, tecnologia e infraestrutura pode abrir uma nova etapa para a economia mato-grossense, principalmente se parte maior do valor produzido permanecer no próprio território.
O desafio está justamente aí.
Ter uma riqueza mineral não significa, automaticamente, transformar essa riqueza em desenvolvimento tecnológico, empregos qualificados e novas empresas.
É necessário haver conhecimento, infraestrutura, mão de obra especializada, investimentos e capacidade industrial.
Mato Grosso pode ir além da extração
A fala de Lula sobre formar profissionais para que o Brasil consiga explorar suas próprias riquezas toca em um dos pontos mais importantes para o futuro do setor.
Em vez de simplesmente retirar o minério do solo e enviá-lo para outros mercados, o Brasil busca aumentar sua capacidade de processar, transformar e agregar valor aos minerais estratégicos.
Para Mato Grosso, isso poderia significar uma mudança importante na própria lógica de desenvolvimento mineral.
A existência de jazidas é apenas o primeiro passo. O verdadeiro salto econômico acontece quando a cadeia produtiva começa a incorporar pesquisa, tecnologia, processamento, indústria e serviços especializados.
É nesse ponto que universidades, institutos de pesquisa, empresas e governos estaduais e municipais passam a ter papel decisivo.
China e Estados Unidos disputam espaço
A declaração do presidente ocorre em um momento de forte competição internacional.
A China ocupa posição de destaque na cadeia global das terras raras, desde a exploração até etapas de processamento e produção. Os Estados Unidos, por sua vez, vêm tentando reduzir sua dependência externa e ampliar o acesso a minerais considerados estratégicos para sua indústria.
Nesse cenário, países com grandes reservas passam a ter maior importância geopolítica.
O Brasil está entre eles.
E Mato Grosso pode aparecer nessa equação não apenas como produtor de minerais, mas como um território com potencial para integrar diferentes cadeias econômicas.
O ponto que pode mudar o jogo
A grande questão para Mato Grosso não é simplesmente quanto minério o Estado consegue retirar do subsolo.
A pergunta mais importante é quanto desse recurso pode ser transformado em conhecimento, tecnologia, indústria e renda dentro do próprio Estado.
Essa mudança de perspectiva pode aproximar a mineração de outros setores nos quais Mato Grosso já possui enorme capacidade, especialmente o agronegócio.
Tecnologias desenvolvidas para mineração, por exemplo, podem estimular áreas como automação, inteligência artificial, sensores, logística e análise de dados. Ao mesmo tempo, universidades e centros de pesquisa podem desenvolver soluções específicas para as características geológicas e produtivas do Estado.
Assim, a mineração deixa de ser apenas uma atividade extrativa e passa a fazer parte de uma estratégia mais ampla de industrialização e inovação.
Fonte: CenárioMT






