Tecidos moles são encontrados em fóssil de 450 milhões de anos, diz estudo

Tecidos moles são encontrados em fóssil de 450 milhões de anos, diz estudo
Conhecida como estrela-do-mar-pena-da-paixão, a Ptilometra australis é um crinóide — Foto: Richard Ling (Rling) via Wikimedia Commons

“Uma em um milhão”: é assim que os paleontólogos da Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, classificam a descoberta que acabam de realizar. Eles encontraram fragmentos de tecidos moles no fóssil de um crinóide – parente da estrela-do-mar que existe até hoje.

Estima-se o animal em questão tenha vivido há cerca de 450 milhões de anos. Os crinóides já existiam antes mesmo dos dinossauros e seus fósseis ajudam a estudar sobre as origens da vida complexa na Terra. Porém, fósseis geralmente só preservam as partes duras de um organismo.

“Depois que um animal morre, tecidos moles como pele, olhos ou órgãos internos são as primeiras coisas a se decompor”, aponta Lena Cole, uma das autoras da pesquisa, em comunicado. “A maioria dos fósseis é composta apenas por partes duras como ossos, dentes ou conchas. Tecidos moles só são preservados quando o ambiente age quase como um refrigerador natural ou uma seladora a vácuo — condições que são incrivelmente raras”.

De acordo com os autores do estudo, que foi publicado na revista Royal Society Open Science, essa é a segunda vez que um fóssil de crinóide é encontrado com tecidos moles. E a recente descoberta é de um espécime mais antigo do que o anterior. “Para referência, esses tecidos moles têm mais de 200 milhões de anos a mais do que o dinossauro mais antigo”, diz David Wright, que também é autor da pesquisa.

O material é referente aos pés ambulacrários do animal, estrutura utilizada para alimentação. “Comparações com crinóides vivos mostram que a anatomia dessa espécie antiga era muito diferente”, acrescentou Cole. “Isso nos dá novos insights sobre como os crinóides evoluíram e como suas estratégias de alimentação mudaram ao longo de centenas de milhões de anos”, explica David Wright.

Fóssil de crinóide com tecidos moles — Foto: Divulgação/University of Oklahoma
Fóssil de crinóide com tecidos moles — Foto: Divulgação/University of Oklahoma

Esse fóssil estava guardado no Museu de Paleontologia e Evolução de Montreal há anos. No entanto, a descoberta dos tecidos moles só foi realizada agora, através da análise minuciosa de Cole e Wright – que são especialistas em crinóides. Com o avanço das tecnologias, é muito comum que novidades surjam a partir de fósseis que já estão há um bom tempo em acervos.

“Esta descoberta destaca a importância das coleções de museus e do apoio da comunidade que as mantém vivas”, disse Cole. “Sem a dedicação de muitas pessoas cuidando dessas coleções, esta pesquisa jamais teria sido possível”, complementa.

Por Redação Galileu

Astrogildo Aécio Nunes

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