Espécie rara de lula gigante é flagrada no oceano profundo em vídeo; assista

Espécie rara de lula gigante é flagrada no oceano profundo em vídeo; assista
Esta imagem mostra uma lula-de-barbatana-grande (Magnapinna) em uma expedição diferente ao norte do Golfo do México em 2012. As novas imagens podem ser vistas abaixo. — Foto: NOAA Ocean Exploration / Expedição ao Golfo do México 2012

07Encontrar uma das lulas-gigantes do gênero Magnapinna nas profundezas do oceano já é considerado um acontecimento extraordinário. Registrar duas delas juntas, em imagens de alta definição, é ainda mais raro. Que o diga a equipe do Instituo Oceânico Schmidt, dos EUA, que conseguiu ver as duas durante uma expedição científica no Oceano Atlântico.

Os animais foram filmados a cerca de 4.300 metros de profundidade na Zona de Fratura de Doldrums, uma extensa cadeia de montanhas submarinas localizada ao norte da linha do Equador, onde placas tectônicas se encontram. A região, que se estende por mais de 16 mil quilômetros, é conhecida por sua intensa atividade geológica e pela biodiversidade ainda pouco explorada.

As imagens foram captadas pelo veículo submarino operado remotamente (ROV) SuBastian e revelam duas lulas-gigantes-de-barbatana-grande Magnapinna, um dos grupos de cefalópodes mais misteriosos conhecidos pela ciência. Até hoje, apenas algumas dezenas de avistamentos desse gênero foram registrados em todo o mundo, tornando o encontro duplo um feito excepcional. Veja o vídeo abaixo:

Um dos animais mais enigmáticos do oceano

O nome Magnapinna significa “grande barbatana” em latim e faz referência às enormes nadadeiras em formato de coração localizadas na parte superior da cabeça. Elas são usadas para impulsionar o animal lentamente pelas águas profundas.

Mas o traço mais marcante dessas lulas são seus tentáculos extremamente longos e finos, que podem se estender por vários metros além do corpo. O maior exemplar já registrado alcançou 6,4 metros de comprimento total, sendo cerca de 6,1 metros apenas de tentáculos.

Além da aparência peculiar, os cientistas ainda sabem muito pouco sobre esses animais. Atualmente, apenas três espécies foram oficialmente descritas: Magnapinna atlantica, Magnapinna pacifica e Magnapinna talismani. Pesquisadores acreditam, porém, que existam outras espécies ainda desconhecidas vivendo em diferentes oceanos.

As lulas-de-barbatana-grande ganharam fama mundial após um vídeo registrado em 2007, próximo a uma plataforma de petróleo no Golfo do México. A gravação, marcada pela baixa resolução, iluminação esverdeada e movimentos instáveis da câmera, alimentou comparações com criaturas extraterrestres e transformou o animal em um fenômeno da internet.

As novas imagens, no entanto, oferecem uma visão muito mais detalhada do cefalópode. Com melhor iluminação e resolução, é possível observar sua anatomia com clareza e perceber que sua aparência assustadora era, em grande parte, consequência das limitações tecnológicas das filmagens anteriores.

“Mesmo no Oceano Atlântico, onde os limites das placas tectônicas são estudados há décadas, ainda existem lugares onde uma primeira observação atenta pode revelar algo totalmente novo”, afirma Aaron Micallef, cientista-chefe da expedição Doldrums e pesquisador sênior do Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI), em comunicado publicado no Instagram. “Esta expedição mostrou que mesmo num dos cantos mais remotos do oceano, o nosso planeta permanece vivo, dinâmico e cheio de surpresas”.

Por Carina Gonçalves

Astrogildo Aécio Nunes

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