Promotor ‘anuncia’ “morte de Neymar” e artigo gera críticas ao Ministério Público

Promotor ‘anuncia’ “morte de Neymar” e artigo gera críticas ao Ministério Público
Post do MPMT com a chamada “Morre Neymar Jr.” gerou suspeita de hacker e críticas nas redes | Foto: Ilustração

Uma publicação sobre a suposta morte de Neymar Jr. causou estranheza nas redes sociais e chegou a levantar suspeitas de que o perfil do Ministério Público de Mato Grosso pudesse ter sido invadido por hackers. O texto, no entanto, não se tratava de uma notícia real, mas de uma crônica futurista assinada pelo promotor de Justiça Jorge Paulo Damante Pereira.

A confusão começou pela forma da chamada e pela abertura do artigo, que simulava uma notícia sobre a morte do ex-jogador. O texto informava que Neymar teria sido encontrado morto em sua residência, por causas naturais, em um cenário projetado para o futuro. Só no decorrer da leitura ficava claro que se tratava de um exercício literário sobre a passagem do tempo, a fama, o futebol, a política e a morte.

A estratégia provocativa, porém, gerou forte reação entre internautas. Em grupos de notícias, a primeira impressão foi de que a publicação poderia ser resultado de ataque hacker ou erro de postagem. Nos comentários, leitores demonstraram surpresa com o tom adotado.

“Que palhaçada é essa?”, escreveu um usuário. Outro afirmou: “Me espanta ver um post desse vindo do Ministério Público do Estado de Mato Grosso…”. Também houve críticas ao formato da publicação. “Tudo por engajamento? Falta de ética e profissionalismo”, comentou uma internauta. Outra observou: “Confesso que precisei conferir duas vezes. O artigo é uma coisa; a forma como foi divulgado é outra. A chamada me pareceu mais sensacionalista do que provocativa”.

Houve, por outro lado, quem defendesse o conteúdo e lembrasse que a publicação era um artigo, não uma notícia factual. “Trata-se de um ARTIGO, não de uma notícia!”, escreveu um internauta. Outro resumiu: “Gente, isso é um artigo”.

No artigo, o promotor adverte: “É isso mesmo, amigo! Você não está maluco, não! Ou será que acha que é brincadeira o dito popular de que o tempo voa? Voa, canarinho, voa!”. Mais adiante, concluía: “Não, ele não voa. Quem voa somos nós, criaturas viventes. O tempo, esse embusteiro, só ri de nós”.

O artigo também faz referência à seleção brasileira de 1982, ao centenário daquele time e a Copas do Mundo passadas e futuras. “Uma judiação aquela geração de craques não ter sido campeã, não é mesmo?!”, diz o autor em um dos trechos.

A crônica ainda aborda temas políticos e históricos. Ao mencionar a Copa do Mundo de 2026, o texto faz críticas ao cenário internacional da época e cita episódios de autoritarismo, xenofobia e preconceito. Em outro trecho, afirma: “Um dos erros da humanidade é ignorar as forças destrutivas da civilização e da civilidade humana”.

No encerramento, Jorge Paulo retoma o tom de reflexão sobre a finitude humana: “Aproveite. Pois assim como nossos bisavós e tataravós, que presenciaram Pelé, Garrincha, Gérson, Zico, Sócrates e Falcão jogar bola, já não mais conosco estão — bateram as asas —, assim como bateram as asas Pelé, Garrincha, Gérson, Zico, Sócrates, Falcão, Romário, Bebeto, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Neymar, você também baterá asas, em breve”.

( Edilson Almeida | Redação RDM Brasil)

Astrogildo Aécio Nunes

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