O peso de Jayme Campos no “Xadrez Eleitoral” e os riscos da polarização governamental

O peso de Jayme Campos no “Xadrez Eleitoral” e os riscos da polarização governamental
Imagem Ilustrativa

A reconfiguração das forças políticas em Mato Grosso acendeu um alerta nos bastidores do Palácio Paiaguás, expondo fissuras que podem redesenhar o cenário eleitoral do estado. O recente isolamento do “Capitão Jaymão”, o senador Jayme Campos (UB) na nova composição do Diretório Estadual da Federação União Progressista tornou-se o epicentro de intensos debates. Analistas e parlamentares começam a projetar os impactos dessa movimentação, que ameaça fragmentar a base aliada e criar novos polos de oposição.

O fato principal reside na perda de espaço do cacique político dentro da nova estrutura decisória da federação partidária que engloba importantes siglas locais. Jayme Campos, uma das figuras mais tradicionais e influentes da política mato-grossense, viu seu “PODER” de influência ser reduzido no diretório. Essa exclusão deliberada das principais articulações estratégicas gerou um clima de instabilidade, transformando o que deveria ser uma consolidação partidária em um foco de potenciais rupturas e dissidências internas.

Os desdobramentos dessa exclusão começaram a se materializar nesta semana, logo após a divulgação oficial dos nomes que passarão a comandar a agremiação. A urgência do debate se justifica pela proximidade do calendário eleitoral, período no qual a coesão partidária se mostra indispensável para o sucesso de projetos majoritários. A velocidade com que a insatisfação se propagou pelos bastidores do poder em Cuiabá reflete a gravidade do cenário para a governabilidade e para as futuras coligações.

A motivação por trás desse rearranjo de forças decorre da tentativa de consolidação da candidatura do atual vice-governador, Otaviano Olavo Pivetta (Republicanos), à sucessão estadual. O grupo político que gravita em torno do Palácio Paiaguás busca assegurar a hegemonia nas decisões partidárias para garantir um palanque unificado e robusto. No entanto, a estratégia de centralização acabou por escantear lideranças históricas que demandavam maior protagonismo e espaço de diálogo no processo de escolha.

Os principais articuladores dessa nova configuração partidária são lideranças estreitamente vinculadas ao ex-governador Mauro Mendes (UB), atual presidente estadual da sigla e principal avalista da pré-candidatura de Otaviano Pivetta. Dos sete membros escolhidos para compor o diretório da Federação União Progressista em Mato Grosso, cinco integram o núcleo duro de Mauro Mendes. Essa maioria expressiva visa blindar a federação contra dissidências, garantindo o alinhamento total com as diretrizes traçadas pela cúpula do governo.

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A divisão do Diretório Estadual reflete uma clara assimetria de forças a favor do grupo governista. Além do próprio Mauro Mendes, a composição majoritária conta com o ex-senador Cidinho Santos (PP), que assumiu a vice-presidência da Federação União Progressista em Mato Grosso, a suplente de senadora Margareth Buzetti (PP), o deputado federal Fábio Garcia (UB) e o presidente da MT GásAécio Rodrigues (UB). Essa composição robusta demonstra a força do grupo que defende a continuidade do projeto político atual.

A reação a esse desenho institucional veio de forma contundente por parte do deputado federal Nelson Barbudo (Podemos), que verbalizou a preocupação de setores moderados da política local. Barbudo alertou publicamente que a exclusão de Jayme Campos das principais articulações do grupo governista pode se transformar em um verdadeiro “tiro no pé” para as pretensões eleitorais de Otaviano Pivetta. O parlamentar destacou o risco iminente de isolar uma liderança que detém um capital político histórico no estado.

O principal argumento que sustenta o alerta de Barbudo reside na densidade eleitoral e no simbolismo que o senador do União Brasil representa na sociedade mato-grossense. O deputado federal pontuou que Jayme Campos possui uma parcela substancial e cativa de votos, o que o credencia para atuar como o “fiel da balança” no próximo pleito. Caso não haja uma composição pacificadora, a migração desse eleitorado para uma ala de oposição poderá inviabilizar o projeto de continuidade governista.

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Os cenários alternativos criados por essa crise interna incluem a real possibilidade de uma aliança estratégica entre Jayme Campos e o senador Wellington Fagundes (PL). Uma eventual união entre essas duas potências eleitorais criaria uma conjuntura extremamente difícil para a candidatura de Otaviano Pivetta. Diante dessa ameaça, apenas o deputado estadual Dilmar Dal’Bosco (UB) manifestou-se publicamente, dentro da executiva, em defesa da manutenção de um canal de diálogo com as lideranças preteridas.

Por fim, o novo panorama político acelera a possibilidade de antecipação de outras candidaturas majoritárias, como a do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Max Russi (Podemos).

Embora o projeto inicial de Russi contemple a reeleição ao legislativo, a volatilidade provocada pelo isolamento de Jayme Campos abre espaço para que novos nomes ganhem musculatura ao governo. A dinâmica do tabuleiro político estadual demonstra, assim, que a falta de consenso pode fragmentar irreversivelmente a base governista.

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Astrogildo Aécio Nunes

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