Lúdio convoca secretário e pede explicações sobre mais de R$ 500 milhões de contratos do BRT

Lúdio convoca secretário e pede explicações sobre mais de R$ 500 milhões de contratos do BRT
Crédito da foto: Cami Barros

O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) aprovou novamente, nesta quarta-feira (27) no Plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, a convocação do secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, para prestar esclarecimentos sobre as obras do Bus Rapid Transit (BRT) em Cuiabá e Várzea Grande – audiência está marcada para 11 de junho. Os contratos do BRT já ultrapassam os R$ 530 milhões, com trechos ainda sem contratação, e dúvidas sobre aumentos de valores em contratos como o da construção das Estações do BRT.

“São motociclistas correndo o risco de perder a vida no trânsito dessas avenidas, motoristas de aplicativo, quem usa o transporte público, toda a população trabalhadora que precisa se deslocar de casa para o trabalho e do trabalho para casa, que viaja uma hora e meia, duas horas, por conta desses transtornos, principalmente em razão do atraso do trânsito na Avenida do CPA e na Prainha. E, até agora, menos da metade da obra do trecho 1, que é do aeroporto até o final da Avenida do CPA, foi concluído. E apenas para esse trecho o Estado já tem contratados 536 milhões de reais. Por isso, precisamos de explicações do Governo de Mato Grosso”, afirmou o deputado.

Em maio, a Assembleia Legislativa havia aprovado a convocação do secretário, mas transformou a convocação em convite com data para a última segunda-feira (25). Em ofício, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) informou que o secretário não iria à audiência “em razão do intenso volume de demandas técnicas e administrativas urgentes que atualmente sobrecarregam o cronograma” e “compromissos institucionais previamente agendados”.

“Nós tínhamos uma série de questões para fazer ao secretário na convocação que nós já havíamos aprovado, mas o secretário pediu adiamento para depois de 15 de julho. O governo não pode tratar as convocações da Assembleia da mesma forma que trata a obra do BRT. A promessa, em 2020 quando o então governador Mauro Mendes trocou o VLT pelo BRT, era concluir toda a obra até dezembro de 2022. Nós estamos no final de maio de 2026 e as populações de Cuiabá e Várzea Grande continuam sofrendo com os transtornos do trânsito em decorrência de uma obra interminável”, disse Lúdio.

Entre as explicações devidas pela Sinfra, Lúdio apontou para o contrato das Estações do BRT, firmado por R$ 120,4 milhões em dezembro de 2025. O valor, que consta de uma dispensa de licitação de novembro passado, é R$ 51,5 milhões maior que outra dispensa de licitação feita pela Sinfra para a mesma obra e com as mesmas quantidades de estruturas, lançada por R$ 68,8 milhões menos de três meses antes.

As dispensas eletrônicas nº 08/2025 e 09/2025, de execução das Estações do BRT, integram o lote 02 do fatiamento feito pelo governo dos contratos para conclusão do BRT após a rescisão do contrato anterior do Consórcio Construtor BRT Cuiabá, encerrado em março do ano passado. A vencedora da dispensa 09/2025 foi a empresa Lotufo Engenharia e Construções Ltda.

Já o lote 01, para as obras de infraestrutura e pavimentação remanescentes entre o Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, e o Hospital de Câncer no CPA, em Cuiabá, foi contratado por dispensa eletrônica junto ao Consórcio Integra BRT por R$ 155,1 milhões. O consórcio é formado pela construtoras Lotufo Engenharia, Guaxe
Construtora e Encomind Engenharia.

O lote 03 visa a construção dos Terminais do BRT e do Centro de Controle Operacional (CCO). Também por dispensa eletrônica, o contrato foi firmado em abril de 2026 por R$ 128 milhões com a empresa Lotufo Engenharia e Construções Ltda. A Sinfra ainda não realizou licitação nem contrato para as obras de infraestrutura do eixo do BRT na Avenida Fernando Corrêa da Costa.

“O secretário dizia que até dezembro de 2026 toda a obra do BRT, 100% da obra do BRT, estaria concluída. E que seriam, no mínimo, quatro licitações, quatro consórcios ou empresas, para que pudessem realizar a obra e acelerar a conclusão. O fato é que foram, até agora, três dispensas de licitação, quando deveria ter acontecido uma licitação, porque houve prazo para isso, e foi contratada exatamente a mesma empresa. No caso das Estações do BRT, uma diferença: para a construção das mesmas 77 estações saiu de R$ 68 milhões em agosto para R$ 120 milhões em novembro de 2025. Esses são alguns dos esclarecimentos que eu espero ter da Sinfra e do Governo do Estado, que era para terem sido respondidas na segunda-feira e, infelizmente, o secretário não compareceu”, afirmou o deputado.

Astrogildo Aécio Nunes

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