Maple Bear não apresenta plano individual de atendimento após interpelação judicial movida por pais de aluno em Sorriso

Maple Bear não apresenta plano individual de atendimento após interpelação judicial movida por pais de aluno em Sorriso
Divulgação

Após serem judicialmente interpelados pelos pais de um aluno de 7 anos, representantes da escola Maple Bear não apresentaram à Justiça documentos relacionados ao suposto Plano Individual de Atendimento (PIA) da criança, nem informações detalhadas sobre as providências pedagógicas e institucionais adotadas pela unidade diante das dificuldades enfrentadas pelo estudante no ambiente escolar.

A interpelação judicial foi protocolada no ano passado pela família, no âmbito de processo que tramita na 5ª Vara Cível de Sorriso (MT). Entre os pedidos apresentados, os pais solicitaram formalmente acesso ao eventual Plano Individual de Atendimento elaborado pela escola, registros de acompanhamento, medidas de inclusão adotadas pela instituição e esclarecimentos sobre as decisões que culminaram na saída do aluno da unidade.

Segundo a família, a ausência de apresentação dos documentos reforça a percepção de que não houve implementação efetiva de medidas inclusivas voltadas ao estudante, que, quando convidado a retirar-se da escola, estava em processo de avaliação médica para confirmação de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Explosivo Intermitente (TEI). Agora, a família pretende mover uma ação indenizatória contra a instituição.

O menino estudava na escola havia três anos, mas acabou sendo transferido após a instituição solicitar sua saída. Os pais afirmam que os episódios teriam começado em 2023 e se intensificado ao longo de 2025, incluindo exigências para renovação da matrícula, como a apresentação de diagnóstico médico formal e a contratação, pela própria família, de um profissional de apoio para acompanhar a criança em sala de aula.

De acordo com os pais, mesmo diante do acompanhamento psicológico já realizado pela criança, inclusive com profissional indicado pela própria escola, a instituição teria desconsiderado os relatórios apresentados e condicionado a permanência do aluno à emissão de laudo médico especializado.

“A resposta judicial evasiva da Maple Bear Sorriso escancara o que vínhamos dizendo desde o início: não houve boa técnica no tratamento dado ao nosso filho. A escola foi intencionalmente relapsa – sabe-se lá movida por quais interesses, que o tempo esclarecerá – ignorando relatórios psicológicos, documentos e orientações apresentados pela família, muitos deles produzidos pelo próprio profissional terapêutico indicado pela instituição. Isso é gravíssimo”, afirmou F. S. I., pai da criança.

A família também relata que a escola não promoveu ações de conscientização junto à comunidade escolar nem apresentou medidas pedagógicas específicas voltadas à permanência e inclusão da criança.

“O que vivemos com a Maple Bear Sorriso nos obriga a levantar uma bandeira necessária pela inclusão. Isso não pode acontecer com nenhuma criança. Nenhuma. Uma coisa é a narrativa institucional; outra, muito diferente, é aplicar inclusão de verdade. Seguiremos adotando todas as providências judiciais cabíveis para responsabilizar a escola”, concluiu o pai.

O Grupo SEB, controlador da Maple Bear no Brasil, e o board da Maple Bear foram comunicados sobre o caso. Segundo a família, o canal de denúncias da mantenedora confirmou o recebimento da manifestação e informou que os desdobramentos seriam analisados.

Em parecer emitido pela Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso, mediante consulta formulada pelos pais, foi ressaltado que instituições privadas de ensino têm obrigação de oferecer recursos de acessibilidade e profissionais de apoio sempre que necessário, independentemente da apresentação de laudo médico, sendo vedada a cobrança de valores adicionais às famílias.

Astrogildo Aécio Nunes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posso ajudar?