Wellington e Jayme celebram ‘fim de governo’, Fávaro diz que Senado barrou vontade ‘do povo de Deus’

A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), provocou reações divergentes entre os três senadores de Mato Grosso. Jayme Campos (União) e Wellington Fagundes (PL) garantem que o ato histórico simboliza o fim do Governo Lula, enquanto Carlos Fávaro (PSD) lamentou a derrota do governo e afirmou que a rejeição representou um bloqueio para comunidade cristã.
Nas redes sociais, Wellington Fagundes foi o primeiro a gravar vídeo comemorando o resultado. Para ele, o resultado foi fruto de articulações da direita para “resguardar democracia” e isonomia entre poderes.
“Depois de 134 anos, é a primeira vez que é rejeitada a indicação de um presidente da República para ministro do Supremo. Isto é uma demonstração que esse governo acabou. O presidente hesitou, demorou demais, isso tudo foi enfraquecendo. Além da carga tributária, dos escândalos que estão acontecendo”, disse.
Jayme Campos classificou o episódio como um marco para o Senado Federal. Segundo ele, o Congresso não precisa ser um órgão de validação automática das decisões do Executivo.
“Hoje é um dia histórico. A rejeição ao nome de Jorge Messias para a vaga do Supremo Tribunal Federal representa uma demonstração clara da independência do Senado Federal. A votação mostrou que o Senado não é mero homologador das escolhas de outros poderes. Cabe ao Senado avaliar com liberdade e responsabilidade os nomes indicados para a mais alta corte do país”, afirmou.
Na contramão dos colegas, Fávaro lamentou a derrota do governo e afirmou que a rejeição representou um bloqueio ao que chamou de vontade da comunidade cristã.
“A vontade do Senado é soberana e a gente tem que respeitar. Mas eu não posso deixar de me posicionar.Aqueles colegas senadores que barraram a ida do Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal barraram também a vontade do povo de Deus, a vantagem dos cristãos que estavam apoiando mais um homem de Deus para ser o ministro da Suprema Corte.”
O plenário do Senado derrubou a indicação na quarta-feira (29), com 42 votos contrários e 34 favoráveis, número insuficiente para atingir os 41 votos necessários para aprovação. Com isso, a indicação foi arquivada.
O episódio entrou para a história: é a primeira vez em mais de 130 anos que o Senado rejeita um indicado ao STF. Antes disso, a última derrota presidencial em uma indicação para a Suprema Corte havia ocorrido em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto.
A indicação foi anunciada por Lula há cerca de cinco meses, mas a mensagem oficial ao Senado chegou apenas no início de abril. Messias foi indicado para ocupar a vaga aberta com a saída do ministro Luís Roberto Barroso, que deixou o STF em outubro de 2025 após aposentadoria antecipada.
Com a derrota, Lula terá que indicar um novo nome para a vaga na Suprema Corte.
(GD)






