Discurso em Homenagem aos Policiais Penais

Discurso em Homenagem aos Policiais Penais
Fotos: Divulgação

Excelentíssima Senhora Juíza de Direito da 4ª Vara de Execuções Penais de Rondonópolis, Dra. Sabrina Andrade Galdino, autoridades presentes, Ilustríssimo Senhor Diretor da Penitenciária Major Eldo de Sá Correa Ailton Ferreira, representado pelo Ilustre Senhor SubDiretor Juscelino e líder Clemente, colegas policiais penais, familiares, autoridades eclesiásticas, senhoras e senhores,

Inicio estas palavras externando minha mais sincera gratidão pela honra deste convite. Agradeço à nobre Magistrada que atua na humanização do ambiente prisional e na implementação de justiça restaurativa e alternativas penais, às autoridades aqui presentes, aos meus colegas de farda e, de modo muito especial, às famílias, que apoiam silenciosamente aqueles que sustentam a ordem.

Hoje não celebramos apenas uma profissão. Celebramos uma função milenar da humanidade.

Desde que o ser humano deixou as cavernas e passou a viver em sociedade, surgiu um desafio inevitável: como conviver com o erro, com o desvio, com a transgressão?

Antes mesmo de existirem códigos penais, tribunais ou leis escritas, já existia alguém incumbido de guardar, vigiar, conter, e, muitas vezes, proteger a própria sociedade de si mesma.

O policial penal é herdeiro direto dessa função ancestral.

Ele está onde a sociedade não quer estar. Ele vê o que a sociedade não quer ver. Ele lida, todos os dias, com aquilo que a sociedade prefere esquecer.

E, paradoxalmente, é invisível.

Se perguntássemos a Michel Foucault qual a função social do policial penal, ele talvez dissesse:

> “É ele quem sustenta, silenciosamente, a engrenagem mais delicada do sistema disciplinar moderno.
É ele quem transforma a teoria da pena em realidade concreta.
Sem ele, o Estado não exerce sua última forma de organização social: a custódia.”

Se perguntássemos a Sigmund Freud sobre sua importância:

> “É ele quem convive diariamente com os impulsos mais primitivos do ser humano.
Ele presencia o conflito eterno entre o instinto e a civilização.”

Se perguntássemos a Carl Jung:

> “O policial penal caminha todos os dias dentro da sombra da humanidade.”

Se perguntássemos a Noam Chomsky:

> “Peça-chave na engrenagem do Estado moderno.”

Se perguntássemos a Albert Einstein:

> “A medida de uma sociedade está na forma como ela lida com seus erros.”

Se perguntássemos à poeta Cecília Meireles como conceituaria o policial penal, talvez ela dissesse:

> “Há uma solidão silenciosa nos corredores frios das penitenciárias.
E nela caminha um ser humano que também sonha, também sente, também teme, e ainda assim permanece.”

Se perguntássemos a Carlos Drummond de Andrade:

> “Entre pedras duras e dias cinzentos, há um homem que sustenta o mundo sem que o mundo o veja.”

Se perguntássemos a Clarice Lispector:

> “Ele vive no limite invisível entre o humano e o desumano, preservando a própria alma onde muitos a perderiam.”

Se perguntássemos a Manoel de Barros:

> “O policial penal é aquele que encontra grandeza nas coisas pequenas, que enxerga humanidade onde quase ninguém mais enxerga.”

Se perguntássemos a Cora Coralina:

> “É gente simples fazendo uma tarefa imensa, com coragem quieta e dignidade cotidiana.”

Se perguntássemos a Nelson Mandela como conceituaria o policial penal, talvez ouvíssemos:

> “O verdadeiro valor de uma sociedade revela-se na forma como ela trata aqueles que estão privados de liberdade : e também na dignidade daqueles que os guardam.”

E há ainda um peso silencioso que poucos percebem: o de saber que, por trás de cada cela, pode existir uma história que a justiça ainda não decifrou completamente. Carregar a consciência de que, entre tantos culpados, pode haver um inocente, é um fardo moral que repousa sobre os ombros do policial penal. Isso não o endurece — ao contrário, exige dele humanidade redobrada, equilíbrio constante e vigilância ética permanente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Senhoras e senhores,

O policial penal não cuida apenas de celas.
Ele cuida de limites.
Ele cuida da ordem.
Ele cuida da segurança de uma sociedade inteira.

Trabalha onde a tensão é constante.
Onde o risco é permanente.
Onde o erro custa vidas.

E, ainda assim, retorna para casa em silêncio.

Que este momento não seja apenas palavras.
Que seja reconhecimento histórico.

Porque, se a justiça é a balança,
o policial penal é a mão firme que a sustenta.

Senhores e Senhoras:

Falamos da história.
Falamos da missão.
Falamos da coragem e da grandeza.

Mas há uma dimensão quase nunca pronunciada:
o mundo que habita por dentro.

Na rotina austera do policial penal, acumulam-se tensões silenciosas,
angústias que não encontram palavras,
cansaços que o corpo suporta,
e dores que a alma aprende a calar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por isso, torna-se necessário cuidar daquilo que não se vê: o mundo emocional, a psique, a alma.

Independentemente do nome que cada um atribua à espiritualidade, Deus, Jeová, Alá, os deuses, o Universo,
todos necessitamos de algo que nos sustente interiormente
diante da dureza do que vivenciamos.

Não é possível conviver diariamente com a privação, o conflito e o sofrimento humano,
sem que algo também nos toque por dentro.

A canção que compartilho agora não é um gesto religioso. É um gesto de cuidado. É um convite ao consolo.

Um instante para que cada coração aqui presente encontre, dentro de si, um lugar de descanso.

Que, durante esses breves momentos,
cada um possa entregar silenciosamente
tudo aquilo que pesa,
tudo aquilo que dói,
tudo aquilo que fere e cansa.

E que a paz encontre espaço, onde, tantas vezes, só há ansiedade.

Com respeito, carinho
e profunda admiração por cada policial penal aqui presente, ofereço esta canção.

Muito obrigada!

Suziene entoa uma linda canção.

Astrogildo Aécio Nunes

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