Janaina critica proposta de Cattani para armar mulheres: “não enfrenta raiz do feminicídio”

A deputada estadual Janaina Riva (MDB) criticou o projeto de Gilberto Cattani (PL) que propõe o acesso de mulheres a armas de fogo como forma de defesa contra a violência doméstica. Em entrevista à Rádio Difusora de Nortelândia, Janaina afirmou que a medida é ineficaz diante da realidade dos crimes e não ataca o problema estrutural do feminicídio.
Em um dos estados com os maiores índices de feminicídio do país, onde casos de assassinatos de mulheres têm se tornado rotina, a parlamentar foi enfática ao dizer que a proposta não responde à dinâmica real das mortes.
“As mulheres estão sendo assassinadas dormindo, dentro de casa, em momentos de vulnerabilidade. Não existe lógica em achar que ela vai estar armada o tempo todo para reagir”, declarou.
A proposta foi apresentada por Cattani após a morte de sua filha Raquel, vítima de feminicídio pelo ex-cunhado a mando do ex-marido. Apesar de reconhecer a gravidade, Janaina sustentou que respostas baseadas apenas no armamento desviam o foco do enfrentamento efetivo. “É compreensível a dor, mas transformar isso em política pública existe responsabilidade. Não é uma arma que vai impedir as mortes”.
Durante a entrevista, Riva explicou que o feminicídio é resultado de um ciclo progressivo de violência, que começa com abusos psicológicos, controle e humilhações, e evolui até a agressão física e o assassinato. Nesse cenário, conforme ela, a solução passa por prevenção e intervenção precoce, não medidas pontuais.
“O que precisa ser combatido é o comportamento do agressor e a cultura que naturaliza a violência contra a mulher. Isso não se resolve com armamento”, afirmou Janaina.
A deputada também destacou que a proposta não compreende o processo rigoroso para obter porte de arma e a realidade socioeconômica da maioria das vítimas. “Quem hoje está morrendo não é, em regra, a mulher que tem acesso facilitado a esse tipo de recurso. É a mulher em situação de vulnerabilidade, muitas vezes sem qualquer rede de proteção”, disse.
Janaina reforçou que a violência doméstica surge raramente de forma repentina. Segundo ela, há sinais claros ao longo do tempo, como ciúme excessivo, controle financeiro, isolamento e agressões verbais, que precisam ser identificados e enfrentados antes que o quadro evolua. “O feminicídio não começa no dia do crime. Ele é construído dentro de casa, ao longo dos anos”, afirmou.
A deputada defendeu ainda o fortalecimento de políticas públicas integradas, envolvendo educação, saúde mental e assistência social. Para ela, o Estado falha quando só atua na ponta, por meio da segurança pública. “Quando chega na polícia, todo o resto já falhou: a educação, saúde, rede de apoio. É uma falha coletiva”, disse.
Janaina, que tem atuação recorrente na pauta de defesa das mulheres, também cobrou maior engajamento da sociedade na identificação e denúncia de casos de violência. Segundo ela, tratar o problema apenas como episódios isolados dentro de casa contribui para a perpetuação dos crimes.
“Não existe solução simples para um problema complexo. Armar mulheres pode até parecer uma resposta imediata, mas não enfrenta a raiz da violência que está matando mulheres todos os dias”, concluiu.
(Olhar Direto)






