Vereadoras denunciam blogueiro à PC por violência de gênero em Cuiabá

Vereadoras denunciam blogueiro à PC por violência de gênero em Cuiabá
Reprodução/Folha Max

A presidente da Câmara, Paula Calil (PL), a 2ª vicepresidente Michelly Alencar (UB), a 1ª secretária Katiuscia Mantelli (PSB) e a 2ª secretária, Dra Mara (Podemos) denunciaram, nesta quarta-feira (11), o influencer digital, Rafaell Milas de Oliveira, da página no Instagram @tudomenospolitica seguida por mais de 20 mil pessoas, de difamação e violência política de gênero. A denúncia foi feita na Delegacia da Mulher.

A investigação preliminar está sob responsabilidade da delegada Juda Maali Pinheiro Marcondes. Em um dos boletins, há um print de um vídeo feito por Milas direcionado à Katiuscia.

No vídeo em questão, Rafaell critica Katiuscia Mantelli por dançar  o som da música “Alô Virginia” (referência À influenciadora Virginia Fonseca) e passa a se referir às vereadoras de forma depreciativa. Entre as expressões usadas ,estão termos como “quietinhas, videozinho, dancinha e rostinho bonito” para descrevê-las, além de afirmar que elas estariam “sambando na cara do contribuinte” ao supostamente não exercerem trabalho parlamentar sério.

Há três dias, Milas voltou a criticar a atuação das veradoras. Desta vez, ele insinua que as parlamentares agiriam com “hipocrisia” ao não se manifestarem sobre um suposto caso de assédio sexual envolvendo o ex-secretário de Trabalho na Prefeitura de Cuiabá, Willian Leite, sugerindo sem provas alguma conivência das vereadoras com os fatos. “Pessoal, vocês estão ouvindo esse som? É o som do silêncio ensurdecedor dessa maior bancada feminina que uma de vereadores. Mulheres que estão lá para defender mulheres, guerreiras, que são de direita. Só que na hora de defender uma mulher que supostamente foi assediada por um braço direito do prefeito Abílio, o William, quietinhas, ó. Nenhum videozinho até agora”, afirmou o blogueiro.

Conforme os boletins de ocorrência registrados, Rafael reforça estereótipos misóginos, associando mulheres na política à “futilidade” e tentando “deslegitimar publicamente a presença e a atuação” delas no espaço eleitoral.

“No dia 09 de fevereiro de 2026, o suspeito publicou um vídeo no Instagram pelo perfil @tudomenospolitica, que usa para divulgar opiniões políticas. O vídeo teve um grande alcance, com 8.741 visualizações, 571 curtidas, 91 comentários e 229 compartilhamentos, causando danos às comunicantes. No vídeo, o suspeito dirigiu-se às comunicantes com linguagem ofensiva e discriminatória, atacando a condição de mulheres no governo. Ele ultrapassou os limites da crítica política, utilizando termos pejorativos como “quietinhas” e “dancinha”, e afirmou que as vereadoras não realizam trabalho sério, sugerindo que suas atividades são fúteis. Além de desqualificar as mulheres envolvidas, o suspeito também insinuou que elas estariam coniventes com assédios e transações financeiras suspeitas, sem apresentar provas”, diz trecho do boletim registrado por Katiuscia Mantelli.

Em outras palavras, as vereadoras acusam Milas de usar o vídeo para reduzir o trabalho parlamentar feminino as “práticas fúteis” e alimentam discurso de ódio de gênero contra as parlamentares. Nos depoimentos anexados ao processo, elas relatam que as insinuações e ofensas as deixaram humilhadas e constrangidas, já que todos os que, segundo ela, “atinge diretamente a honra e credibilidade da vítima” enquanto agente pública. A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Paula Calil, relatou que se sentiu atingida por falas que, segundo ela, buscaram desqualificar a atuação das mulheres no Legislativo Cuiabano.

No boletim, consta que o vídeo utiliza linguagem irônica ao sugerir que vereadoras estariam “quietinhas” diante de denúncias envolvendo um ex-integrante da gestão municipal. Ela sustenta que o discurso reforça estereótipos de gênero e associa a imagem das parlamentares a práticas consideradas fúteis. Paula Calil também declarou que o conteúdo gerou constrangimento e desgaste à sua imagem pública.

No procedimento, manifestou interesse em reparação por danos morais. Michelly Alencar afirmou que o vídeo traz insinuações sem provas e linguagem ofensiva.

Segundo seu depoimento, as declarações sugerem hipocrisia e omissão das vereadoras em relação a um suposto caso de assédio. Michelly destacou que o autor utiliza termos como “dancinha” e “videozinho” de maneira pejorativa.

Ela declarou que as falas atingem sua honra e credibilidade enquanto agente política. Diferentemente de outras comunicantes, Michelly informou à autoridade policial que deseja representar criminalmente o blogueiro, além de buscar indenização por danos morais.

“Durante toda a manifestação, o suspeito extrapola os limites da crítica política legítima, adotando tom de escárnio, ridicularização e menosprezo, fazendo uso de expressões diminutivas e pejorativas como quietinhas, videozinho, dancinha e rostinho bonito, além de afirmar que as vereadoras sambam na cara da sociedade e que não exercem trabalho parlamentar sério, reduzindo sua atuação institucional a práticas fúteis e desprovidas de relevância pública. O discurso é reiteradamente estruturado para desqualificar a atuação política feminina”, afirmou Alencar.

A 2ª secretária da casa, Dra. Mara, relatou que o vídeo a incluiu em críticas generalizadas às vereadoras. Conforme o registro, ela afirma que o autor utilizou linguagem considerada misógina e desqualificadora.

A vereadora destacou as falas do blogueiro criaram narrativa que poderia induzir o público a interpretações equivocadas. Em sua declaração, informou que não pretende representar criminalmente, mas indicou que buscará indenização por danos morais. “Além de desqualificar a atuação da vereadora com base em estereotipos de gênero, o suspeito utiliza a imagem dela para constrange-la, incita o ódio associado a quem faz dancinhas, além de instigar os seguidores a compartilhar e comentar sobre as publicações”, afirmou. As denúncias serão investigadas pela Polícia Civil.

(Folha Max)

Astrogildo Aécio Nunes

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