O ancestral dos gatos que convivia com os chineses

Uma nova pesquisa revelou recentemente que, no passado, a população chinesa conviveu com um ancestral dos gatos: o gato-leopardo (Prionailurus bengalensis), que habitava o país 3.500 anos antes da domesticação dos felinos.
O estudo revela que os habitantes da região mantinham uma complexa relação de longo-prazo com esses animais, que teria durado alguns milhares de anos antes da chegada dos gatos à China com comerciantes da Rota da Seda, há cerca de um milênio e meio
“Agora, eles [os gatos-leopardo] são nossos vizinhos invisíveis, mas milhares de anos atrás viviam em uma relação mais próxima com as pessoas”, disse ao Live Science o coautor do estudo, Shu-Jin Luo , pesquisador principal da Escola de Ciências da Vida da Universidade de Pequim.
Ancestral dos Gatos
A descoberta reacende a incerteza de pesquisadores sobre a origem da prática da domesticação dos felinos, além de adicionar uma nova camada a esse campo de estudo. Uma das principais hipóteses dos especialistas é que os gatos se espalharam para a Europa com os agricultores neolíticos há cerca de 2.500 anos e, eventualmente, foram levadas pela Rota da Seda através da Eurásia até a China.
Vale ressaltar que as representações artísticas mais antigas conhecidas sobre gatos domésticos na China são imagens pintadas em dois túmulos na região central do país, datados de cerca de 820 e 830 d.C. Esses registros sugerem que os gatos domésticos chegaram à China pela Rota da Seda por volta de 700 d.C, o que reforça a ancestralidade confirmada pela análise de DNA dos gatos-leopardo.
Luo acrescentou ao Live Science que os gatos-leopardo na China antiga podem ter ocupado um nicho semelhante ao dos felinos domésticos, estabelecendo uma relação simbiótica com os humanos locais.
“Acho que, na antiguidade, as pessoas ficavam com o filhote e tentavam criá-lo para que ele pudesse caçar roedores. Não creio que tenha sido totalmente domesticado, mas certamente era uma relação mais íntima do que com o gato-leopardo de hoje”, conclui a pesquisadora ao portal.
(POR FELIPE SALES GOMES)






