Wilson quer barrar práticas abusivas de consignatárias contra servidores públicos de MT

Wilson quer barrar práticas abusivas de consignatárias contra servidores públicos de MT
Wilson Santos participa da instalação de Mesa Técnica dos Consignados - Fotos: Assessoria

Após apresentar o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 4/2025, que propõe suspender os efeitos do convênio firmado entre a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) e a empresa Capital Consig Sociedade de Crédito Direto S.A., autorizada a realizar consignações em folha de pagamento, o deputado estadual Wilson Santos (PSD) participou da instalação de uma Mesa Técnica para discutir o superendividamento do funcionalismo público estadual. O encontro ocorreu na segunda-feira (26), no Tribunal de Contas do Estado (TCE), com a presença de conselheiros, servidores públicos, lideranças políticas e sindicais.

De acordo com o presidente do TCE, conselheiro Sérgio Ricardo, o objetivo da mesa é aprofundar o debate sobre o endividamento dos servidores públicos de Mato Grosso. “Vamos tratar de uma situação instalada. Precisamos discutir o que será feito daqui em diante, mas também entender o que nos trouxe até aqui. O endividamento é muito grande. Temos 104 mil servidores no estado e, desses, 62 mil possuem empréstimos consignados”, comentou.

Durante sua fala, Wilson Santos relembrou o período em que o atual conselheiro do TCE, Guilherme Maluf, presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Consignados, em 2018, na Assembleia Legislativa. A CPI foi criada para investigar a legalidade dos contratos, analisar se as condições estavam de acordo com as normas do sistema financeiro nacional e verificar possíveis abusos nas taxas de juros.

“A Assembleia precisa criar uma superintendência com urgência para garantir o cumprimento das leis e das recomendações das CPIs. Mais de 70% das sugestões feitas pelas CPIs são ignoradas pelas instituições que recebem os relatórios. O conselheiro Guilherme apresentou propostas, apontou caminhos, mas nada foi feito. Sete anos depois, estamos lidando com as mesmas questões sobre o endividamento dos servidores”, criticou o parlamentar.

O secretário de Estado de Planejamento (Seplag), Basílio Bezerra, apresentou um histórico das alterações no Decreto nº 691/2016, incluindo medidas como a política de educação financeira para servidores, aumento do limite de parcelas, restrição a até 10 empréstimos por servidor e a criação de um cartão benefício com descontos em estabelecimentos comerciais. Sobre o mais recente Decreto nº 1.454/2025, explicou que a norma busca aprimorar a gestão do crédito consignado, com foco em segurança e maior facilidade de acesso, conforme as novas diretrizes.

Wilson Santos elogiou a clareza do secretário em sua exposição e reconheceu que Bezerra, como servidor de carreira, não defendeu interesses das instituições financeiras. O parlamentar destacou o comprometimento do gestor em apurar denúncias e promover os levantamentos necessários. Aproveitou para questionar se o secretário teria alguma consideração quanto à possível aprovação do PDL nesta quarta-feira (28), durante sessão plenária.

“O deputado e a Assembleia têm autonomia para tomarem decisões dentro da legalidade. Qualquer ação que beneficie o servidor público deve ser considerada. Como secretário técnico, mantenho minha postura imparcial. Já estamos dialogando com a equipe da Seplag e representantes sindicais para analisar os riscos administrativos, tanto para o servidor quanto para quem determina a suspensão. Há também uma análise jurídica em curso quanto à viabilidade da medida”, respondeu Basílio.

Wilson reforçou que o PDL foi elaborado com base jurídica sólida, de forma a evitar contratempos legais. Na ocasião, elogiou ainda o deputado Henrique Lopes (PT) pela proposição do Requerimento nº 271/2025, que solicitou esclarecimentos da Seplag sobre as empresas consignatárias, resultando na realização da audiência em conjunto com o TCE.

“Henrique trouxe contribuições valiosas. Ele propõe que os órgãos de controle apontem as responsabilidades de cada entidade na fiscalização e gestão dos consignados. Apesar de a Seplag indicar que essa função cabe à Desenvolve MT, é necessário garantir o ressarcimento em casos de prejuízo. Ele também defende a suspensão imediata dos descontos, por meio do PDL, e a possibilidade de extensão da medida a outros bancos, além do bloqueio de novas averbações. Na Assembleia, não há divergência: os 24 deputados estão do lado dos servidores. Nem o secretário Basílio nem o governador Mauro Mendes se posicionaram contra”, concluiu Wilson Santos.

Astrogildo Aécio Nunes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posso ajudar?