Um dos menores ancestrais humanos já encontrados pode ter sido devorado por leopardo

Um dos menores ancestrais humanos já encontrados pode ter sido devorado por leopardo
Crânio de Paranthropus robustus, ancestral do Homo sapiens que media apenas 1,03 metro — Foto: Wikimedia Commons

Pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, desenterraram os vestígios de um dos menores ancestrais humanos já identificados. O achado, detalhado em um artigo publicado no início do mês no Journal of Human Evolution, apresenta o osso do quadril, o fêmur e a tíbia de um Paranthropus robustus adulto. Esse hominídeo, que viveu há aproximadamente 2 milhões de anos, media surpreendentes 1,03 metro de altura — e possivelmente teve uma morte trágica, pelas presas de um ancestral do leopardo.

Essa altura é ainda menor que o fóssil Lucy, que media cerca de 1,1 m de altura, e os Homo floresiensis, hominídeos que tinham cerca de 1,07 metro de altura e são chamados de os “hobbits” da Indonésia.

“Esses pequenos indivíduos hominídeos primitivos são reconstruídos como mais baixos e atarracados do que os ‘pigmeus’ humanos modernos” disse Travis Pickering, paleoantropólogo da Universidade de Wisconsin-Madison, ao portal Live Science em um e-mail. “O indivíduo recém-descoberto, batizado SWT1/HR-2, provavelmente tinha uma constituição semelhante — baixo e atarracado.”

Os fósseis foram descobertos no chamado “Berço da Humanidade”, na África do Sul, uma vasta região de 470 quilômetros quadrados que abriga alguns dos mais importantes achados sobre a evolução humana. Mais especificamente, os restos estavam incrustados em fragmentos de rocha sedimentar com idade estimada entre 1,7 e 2,3 milhões de anos. Pelo formato dos ossos, os pesquisadores acreditam que pertenciam a uma jovem fêmea adulta de Paranthropus robustus.

Os vestígios dessa espécie de hominídeo são incomuns. Os primeiros fósseis atribuídos ao gênero Paranthropus foram descritos em um artigo publicado na revista Nature em 1938. Desde então, mais de 300 fósseis desse grupo foram identificados, com três diferentes espécies. Nesse caso, o nome “robustus” faz referência à estrutura robusta de seus crânios e mandíbulas, uma característica marcante do grupo.

Assim, para além da surpresa com sua estatura, a descoberta do fóssil proporcionou aos pesquisadores dados valiosos sobre a anatomia e a locomoção da espécie. Por meio de uma análise comparativa entre os ossos do quadril e da perna, a equipe notou que, enquanto o quadril era mais robusto, os ossos da perna se mostravam mais delicados. Isso levou a conclusão que essa P. robustus caminhava e podia escalar árvores.

Os pesquisadores também identificaram uma possível causa da morte: um ataque de leopardo pré-histórico. Marcas de mordidas nos ossos e o peso estimado de 27,4 kg sugerem que a fêmea pode ter sido devorada, já que esses felinos tinham preferência por presas menores. Além disso, o fato de esses predadores frequentemente permanecerem próximos a entradas de cavernas — justamente onde o fóssil foi encontrado — reforça essa hipótese.

Marcas nos ossos encontrados podem sugerir morte por leopardo — Foto: Jason L. Heaton
Marcas nos ossos encontrados podem sugerir morte por leopardo — Foto: Jason L. Heaton

Mais estudos são necessários para aprofundar o conhecimento sobre os hábitos, o modo de vida e, sobretudo, o tamanho dessa espécie de hominídeo. Ainda não está claro se sua estatura reduzida foi resultado de um processo evolutivo, uma variação natural dentro da espécie ou até mesmo consequência de uma deficiência nutricional. Os pesquisadores seguem otimistas quanto à possibilidade de encontrar mais ossos do mesmo indivíduo na caverna onde foi descoberto.

“Acredito que há uma boa chance de que uma parte muito maior do esqueleto SWT1/HR-2 seja recuperada”, completou Pickering. “Especialmente se estivermos certos e ela tiver sido morta e comida por um leopardo, já que leopardos geralmente não consomem ossos”.

(Por Redação Galileu)

Astrogildo Aécio Nunes

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