Demitido da PF, marido de musa da pirâmide tem investigação arquivada

Demitido da PF, marido de musa da pirâmide tem investigação arquivada
Reprodução/Folha Max)

O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, arquivou uma investigação contra o ex-policial federal Ricardo Mancinelli Souto Ratola, suspeito de participar de um esquema de pirâmide. A decisão se deu pelo fato de que a apuração é semelhante a ação penal que já tramita contra ele, que se tornou réu em novembro juntamente com sua esposa, Taiza Tosatt, conhecida como a “Musa da Pirâmide”, além do médico Diego Rodrigues Flores.

Os três foram investigados pela Polícia Civil no âmbito da operação Cleópatra, que apurou um esquema de pirâmide financeira que causou prejuízo a dezenas de vítimas em Cuiabá, estimado em cerca de R$ 2,5 milhões. Taiza, que é empresária e dona da DT Investimentos, foi presa em 31 de outubro pela Polícia Civil em Sinop, mas teve a prisão preventiva revogada em 18 de novembro.

A Notícia de Fato foi instaurada após o envio do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) movido pela Corregedoria da Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso. A investigação apurava a atuação do policial federal Ricardo Mancinelli Souto Ratola, até então lotado em Rondonópolis, em um esquema ilegal de pirâmide financeira que acabou sendo comprovado.

Após a conclusão do PAD, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, aplicou ao policial federal a pena de demissão, determinando ainda a remessa dos autos para o Ministério Público Federal (MPF), que declinou da competência e encaminhou a investigação para o Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT).

Em sua justificativa, o MPF apontou que não existiam nos autos elementos que demonstrassem a lesão a bens, serviços ou interesse da União, não restando configurada a hipótese de competência federal. No órgão ministerial estadual, era investigada a suposta prática de crimes contra a economia popular, estelionato e lavagem de dinheiro.

No entanto, como o próprio MP-MT já ofereceu denúncia em novembro de 2024 contra Ricardo Mancinelli Souto Ratola, Taiza Tosatt Eleoterio e Diego Rodrigues Flores, pelos crimes de lavagem de dinheiro, estelionato, crimes contra a economia popular (pirâmide financeira) e associação criminosa, o órgão ministerial pediu o arquivamento da investigação, para que não ocorra uma acusação em duplicidade, tese que foi acatada pelo juiz.

“Em parecer consignado, o Ministério Público pleiteou o arquivamento do feito, em decorrência da litispendência. Assim, coadunando com a manifestação ministerial, a qual adoto como razão de decidir, determino o arquivamento do feito”, diz a decisão do juiz.

Operação Cleópatra

A empresária Taiza Tosatt Eleoterio, proprietária da DT Investimentos, se apresentava como especialista em investimentos. Ela é investigada por enganar diversas pessoas, prometendo lucros diários entre 2% e 6%. Após um período inicial de pagamentos, os rendimentos paravam, e ela começava a ignorar os investidores.

Além de Taiza, outros envolvidos no esquema são o médico Diego Rodrigues Flores e o ex-bancário e ex-policial federal Ricardo Mancinelli Souto Ratola. Todos são investigados por crimes contra a economia popular, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Taiza atraía vítimas através das redes sociais, apresentando-se como uma jovem bem-sucedida e experiente em finanças, persuadindo pessoas a investir valores elevados, na maioria superiores a R$ 100 mil.

Embora as vítimas tenham recebido retornos financeiros no início, os pagamentos cessaram rapidamente, e as solicitações de devolução permaneceram sem resposta. A empresária foi presa no aeroporto de Sinop após uma viagem.

(Folha Max)

Astrogildo Aécio Nunes

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