Não foi na Itália: fóssil indica que focaccia surgiu na Mesopotâmia, há 8,4 mil anos

A focaccia, um pão fino feito com farinha, água, sal e fermento, é vendida como uma receita italiana datada da Roma Antiga. Mas um novo estudo sugere que sua origem pode corresponder a um local mais ao leste do mapa, na Mesopotâmia, e datar do período Neolítico – há pelo menos 8,4 mil anos.
A pesquisa da Universidade Autônoma de Barcelona e da Universidade La Sapienza, em Roma, foi publicada na revista Scientific Reports, e analisou 13 fragmentos de cerâmica datados de 6400 a.C. a 5900 a.C. de sítios arqueológicos no território que hoje abrange Síria e Turquia.
A análise sugere que as focaccias eram feitas em bandejas ovais de argila nas quais se preparava massas à base de cereais. As bandejas eram colocadas em fornos em forma de abóbada a 420ºC por duas horas, e de lá saíam as focaccias de 3 kg, provavelmente para consumo coletivo.
“Nosso estudo oferece uma imagem viva de comunidades usando cereais cultivados para preparar pães e focaccias enriquecidos com ingredientes variados e consumidos em grupo”, explicou o autor principal Sergio Taranto, no estudo. Em comunicado, ele acrescenta que a tradição persistiu por cerca de seis séculos e foi praticada em uma vasta área do Oriente.
Por meio das técnicas estereomicroscópia e análise química, os pesquisadores concluíram que os neolíticos testavam diferentes preparações de focaccia. Variados resíduos foram encontrados nas bandejas, incluindo fitólitos (estrutura microscópica da sílica), gordura animal e óleos vegetais.
(Por Redação Galileu)






