Enterro de 100 anos revela mulher com raro caso de “vesícula de porcelana”

Arqueólogos encontraram o túmulo de uma mulher com um caso raro de “vesícula biliar de porcelana” no cemitério do Asilo Estadual de Lunáticos do Mississippi, nos Estados Unidos, onde foi enterrada há aproximadamente 100 anos. Esse é ao primeiro relato dessa condição em um esqueleto arqueológico. A descoberta foi publicada no último dia 30 de março no periódico International Journal of Osteoarchaeology.
O terreno do asilo pertence hoje ao Centro Médico da Universidade do Mississippi (UMMC). Os pesquisadores redescobriram o cemitério em 2012, mas as exumações do Projeto Asylum Hill só iniciaram 10 anos depois, por uma equipe liderada pela bioarqueóloga Jennifer Mack, da UMMC.
Normalmente, os órgãos se decompõem completamente ao longo do tempo após a morte de uma pessoa. A vesícula biliar dessa mulher, que era meia-idade, está calcificada e endurecida, sendo preservada ao longo do tempo devido ao acúmulo de cálcio na parede muscular do órgão. Essa condição, conhecida como “vesícula biliar de porcelana”, é considerada rara na literatura médica.
“É engraçado que o objeto inicialmente tenha sido um mistério empolgante para os bioarqueólogos, enquanto foi identificado quase de relance pelo cirurgião aposentado em nosso projeto”, contou Mack ao portal Live Science por e-mail.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2024/T/d/GQvfn0T4SeAZHdoRAZHQ/dwxzegeu7lxvnmhx6dwzkm-1200-80.jpg)
Em estudos recentes, a vesícula biliar de porcelana é uma condição rara causada por uma doença chamada colecistite, uma inflamação crônica do órgão. A formação em “porcelana” não é completamente compreendida, mas envolve a mineralização da parede do órgão. Geralmente assintomática, afeta mais mulheres do que homens.
Outros cinco casos de pedra na vesícula foram encontrados entre outros esqueletos no local. Segundo os autores, trata-se de uma coincidência, já que “não há associação entre doença da vesícula biliar e doença mental ou doenças fisiológicas que causam sintomas neuropsiquiátricos”, explica a equipe no estudo.
A investigação continua para entender melhor a saúde dos antigos pacientes do asilo e qualquer possível ligação com tratamentos médicos da época. “É muito cedo no processo de pesquisa para realmente dizer qualquer coisa sobre quais tratamentos farmacêuticos estavam sendo regularmente fornecidos para doenças fisiológicas ou mentais”, disse Mack ao Live Science.
O Asilo Estadual de Lunáticos do Mississippi fechou antes da era dos antibióticos. A instituição foi fundada em 1855 e fechou em 1935. Durante seu funcionamento, tratou de dezenas de milhares de pacientes, sendo que cerca de 7 mil morreram enquanto estavam internados, e foram enterrados em caixões simples de pinho com marcadores de madeira.
(Redação Galileu)






